Numa época marcada pelo "influenciamento digital", reconhecido culturalmente e classificado como ocupação regular remunerada, há quem resista e demonstre preconceito a atividade de certos criadores de conteúdo chamando-os de "blogueirinhos". Uma maneira curiosa, já que muitos apenas reproduzem falas e idéias, não tendo conhecimento de como surgiram os blogs e o seu auge de utilização.
Criados para servirem como páginas de diários pessoais na década de 90, os blogs foram popularizados principalmente pelas plataformas "Blogger" (pertencente ao Google) e da WordPress. Estas páginas deram voz às pessoas que viram uma oportunidade de dividir sua maneira particular de ver a vida, seus poemas e poesias, pensamentos, composições, experiências e mais, tudo isso a partir do dom ou paixão pela escrita. Foi assim que na primeira década dos anos 2000, no auge dos blogs, comecei a escrever para internet.
Naquela época, conheci muitas pessoas de outras regiões do Brasil, visionárias e ávidas a mudar o mundo através do poder das palavras Recordar esse tempo, me faz pensar no que a internet se tornou. Outrora escreviamos por paixão, queriamos de fato influenciar pessoas, mas não eramos chamados de influenciadores.
Compartilhavamos nosso melhor a outros, a fim de tornarem-se tão bons quanto eram ou quem sabe propiciarmos uma mudança de atitude na vida dos que andavam a margem da sociedade, para então, em nossas mentes, tornarmos nosso país e nosso mundo lugares melhores para todos nós.
Eramos estudantes e profissionais de categorias diversas, mantenidos por nossas familias ou atividades, sem idear ganhos por meio do que escrevíamos. Sim, escrever era uma arte, exposta para todos que desejassem contemplar e motivada pela apreciação, por vezes com direito a elogios que soavam como aplausos, indo muito além das "curtidas". Mas nem sempre ouvíamos "bravo", por ora precisavamos lidar com pensamentos divergentes as nossas ideias ou com o fato de alguém não gostar da nossa exposição, porém sem desinteligência e agressões, que hoje aparentam normalidade comportamental de quem confunde a ausência de comedimento com liberdade de expressão.
Nos tempos de outrora não temiamos a tal "cultura do cancelamento". Nem sempre sabiamos quem nos acompanhava se não nos escrevessem ou mesmo quantos. Escrever era tudo, para todos os que pudessemos alcançar.
Na jornada pela vida é o meu blog. Escrevi nele por muitos anos, com uma linguagem minimalista e romantizada. Nele compartilhei fé, ao falar de Deus, grande Autor desta jornada que todos nós trilhamos. Tentei espalhar Amor, o bem impagável e a maior de todas as dádivas. Também os devaneios de uma realidade desejada diante das asperezas existentes na vivida. Pensamentos e poesias como afago, tanto para para alma de quem lê como do que escreveu. Subversão responsiva perante as mazelas sociais e uma reproba inversão de valores, como um ser inconformado com "este mundo". Muito escrevi e compartilhei escritos, como disse de maneira mais frequente, porém ainda sigo por lá. Então, se desejar me acompanhe nessa jornada.
www.mvcbitt.blogspot.com
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