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terça-feira, 8 de julho de 2025

O ardor das guerras invisíveis

As guerras assustam o mundo. Mas há batalhas invisíveis que são travadas no mais intimo do ser humano.

Os combates ferem, cansam e desgastam. Às vezes o descanso e a recuperação se mostram longínquos e imprevisíveis.

Nas batalhas é preciso contar com outros ao seu lado que lhe motivem a marchar e se for apenas um, já será suficiente a vencer a apatia de outros dez (vide Josué e Calebe, Bíblia sagrada). 

Todo combatente precisa de alguém que acredite em si, nos seus sonhos e sua luta. Não raro será ouvir, "vai passar", "vai dar certo " ou "Vamos conseguir".

No decorrer da jornada, não há como evitar cobrança de si mesmo, porém que não seja demasiado, já que isto possivelmente será feito por outrem. Esse é um fator que pesa mais do que uma armadura ou fuzil. 

Às vezes, recuar será preciso. Não por demonstração de medo, mas sim por estratégia. Nem sempre a melhor arma é o ataque. 

O tempo passa, porém conflitos se delongam e outros surgem. A alma busca repouso mas a ordem é levantar e andar porque não será aqui o lugar de descanso. O melhor está por vir. 

A carne já não é mais a mesma. Um soldado cansado, com a barra do tempo sobre seus ombros mas que tem os Céus a seu lado, é motivado e segue ao ponto de se achar o mesmo "guerreiro menino" em início de carreira.

No fim, quando de uma maneira ou outra encontrar o repouso, que seja sem vergonha. Que a honra de ter batalhado, não seja cravada na pedra, mas na história e no legado para "Glória de Deus."

Marcus V de Castro Bittencourt

Imagem criada com auxílio de IA 

sexta-feira, 8 de junho de 2018

E a família, como vai?

"Corre-lhe ao encontro e pergunta-lhe: Vais bem? Vai bem teu marido? Vai bem teu filho? Ela respondeu: Vai bem.

2º Reis 4:26, Bíblia Sagrada

Venerada desde os primórdios das antigas civilizações, que dedicaram-se a formar seu contexto social baseado em costumes e tradições originados desta que é a célula-mãe da vida em comum, a família é a base de qualquer sociedade. É no aconchego do lar que recebemos as primeiras manifestações de afeto, orientações para formação de nosso caráter e desenvolvimento da nossa relação com o próximo.

A família é o melhor modelo de interatividade das relações humanas, e como tal, não está livre de conflitos. Problemas de diversas naturezas acontecem nas melhores famílias; e é neste ambiente comunitário que aprende-se a dirimir questões, solucionar impasses e seguir acolhidos pela sua fraternidade peculiar. De fato não existem pessoas impecáveis e por consequência não haverá famílias perfeitas, por isso nos complementamos a medida em que aprendemos a conviver com as diferenças. Observar os preceitos e orientações divinas como a fidelidade no matrimônio, cuidado com o cônjuge, obediência aos pais, não provocação de ira nos filhos, dentre outros ligados aos princípios de amor e respeito, trazem harmonia a vida doméstica. 

Família é mesmo uma instituição atemporal, mas que tem sofrido com as mudanças propostas pelo tempo. Não é de admirar que o número de divórcios cresce a cada ano, muitas relações são do tipo descartáveis, e o sexo tem se tornado algo banal numa entrega deprimente dos corpos sem expressão de sentimento. As tradições familiares também estão sendo ameaçadas pela pós-modernidade. Mesmo o ato mais simples de todos comerem juntos ao redor de uma mesa tem se tornado insignificante. Com o pensamento e a informação em ritmo acelerado, os diversos meios comunicativos existentes após o advento da web, entram em colapso com a comunicação tradicional em família que educa para a vida. Ostentação, capitalismo exacerbado, são manifestações do amor ao dinheiro em substituição aos valores impagáveis proporcionados pela vida familiar. Os resultados são tristes e causam impactos negativos em toda sociedade, inspirando cuidados a nossa instituição maternal. 

Sejamos zelosos do bem e do amor fraterno. Dispensemos a família a atenção que lhe é devida. Inclinemos o nosso coração a refletir e orar a Deus para que sua misericórdia nos alcance e abençoe nossos lares.

Imagem: Google imagens

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

A morte não é o fim

Naquela tarde de sábado, cheguei ao lugar onde havia programado minha presença cerca de um mês antes. Adentrei por aquela sala sendo muito bem recebido pelos instrutores de um curso cujo tema não desperta tanto o interesse das pessoas. Além de em verdade ser motivo de aversão por tratar-se de algo tão indesejado, muito embora sem escapatória para qualquer ser vivente, tendo em vista que de algum modo, todos tereremos que lidar um dia com situações de tal natureza. Mas, reconhecidamente entendo o quanto é difícil falar sobre morte.

Dentre os presentes, estavam psicológos e estudantes de psicología, além de dois capelães (sendo eu um destes). Inicialmente, o ambiente tornara-se pesado por conta da temática, mas de forma bem leve e descontraída, nossos instrutores foram nos conduzindo pelos caminhos do conhecimento acerca da visão sociocultural da morte, seu sentido e do processo de luto. Em determinados momentos chegamos até a sorrir.

Na oportunidade, apresentamos a visão cristã acerca da morte e a mensagem que nos consola face a este evento emblemático, o que compartilho aqui. Como princípio de tudo, consciência é o que necessitamos, para aceitar o que nos está destinado; "porque somos pó e ao pó tornaremos" (gen. 3:19). O dia chega para qualquer um, em que "o pó volta a terra como era, e o espírito volta a Deus que o deu." (Ecl. 12:7).

Fatidicamente, esta vida passa. O conselho que dou acerca desta é que ela seja de bom proveito, mediante a boas escolhas que a preencham de felicidade e paz. "Lembremos do Criador desde os dias de nossa juventude, antes que venham os maus dias e anos dos quais digamos não ter neles nenhuma alegria" (Ecl 12:1). "Honremos nossos pais, para que nossos dias se prolonguem" (Ex 20:12). Façamos a vida valer a pena, de acordo com a máxima de que "plantamos o que colhemos" (Gal 6:7), e isto serve para o que vem depois. O que fazemos em vida reflete na eternidade.

Falando de eternidade, contrapondo o pensamento a mim exposto certa feita, na qual o indivíduo comparava a vida a uma lâmpada que ao término de sua vida útil poderia ser descartada, não vejo a morte como o fim, senão como o começo de uma outra vida, na qual coisas mui excelentes e superiores se revelam. Expirar seria portanto um rito de passagem.

Um dia alguém afirmou ser "a ressurreição e a vida e que se cressemos nele viveriamos mesmo depois de mortos" (Jo 11:25), tendo em seguida a sua declaração, trazido de volta a vida de um homem que acabara por entrar em estado de decomposição. A esta hora ninguém mais acreditava nesta possibilidade e ela aconteceu. Ele mesmo provou ser o SENHOR da vida e sobre a morte quando ressuscitou, "e tragou a morte com sua vitória" (1a Cor 15:54). Assim, nele podemos crer e esperar uma vida sobre excelente, se assim não for, não o conhecemos ou de fato não cremos nele, "porque se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens" (1a Cor 15:19).

Acreditar na eternidade com Deus, em um estado de glória e reencontro após a morte, é a esperança que tenho. Neste dia "consolai-vos uns aos outros com estas palavras (1a Tes 4:18).

Imagem: Google images

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Fé e razão

Há como enxergar algum distanciamento entre fé e razão? Entendendo tratar-se de coisas totalmente diferentes, poderiamos encontrar um antagonismo existente entre elas?

O sugestivo titulo do livro de Jonh Stott, "crer é também pensar", nos traz uma reflexão quanto a uma possível comunhão entre os dois elementos. Há aqueles que não acreditam na possibilidade e as forças antagônicas são criadas a partir de suas concepções, que trazem como resultados o ceticismo em uma vertente pensante e a alienação ignorante em outra que não se permite pensar.

Quando cortejei minha esposa, antes de dizer sim ao meu anseio, esta me observou o fato de sermos tão diferentes um do outro e sendo assim, o questionamento foi se obteriamos sucesso em nossa relação. Prontamente respondi que as diferenças são o que nos completam. Porque em vida somos assim, complementados uns pelos outros em nossas faltas. É partindo deste princípio que vejo uma perfeita relação entre crer e refletir.

Pensar não fará de ninguém um incrédulo. Apenas reforçará as bases para a sua fé e não permitirá nenhum tipo de engodo que o torne encegueirado e levado por toda sorte de ideias descartáveis.
A fé não morre com o conhecimento, pois este é iluminação para alma e o espírito. A verdadeira ciência não nega a existência de fatores que não podem ser explicados e o sobrenatural nunca perderá seu espaço. O Deus invisível, porém crido pelos homens se faz presente em suas ações e se revela por meio de sua criação, podendo ser apenas percebido pelos que creem. Este mesmo, deseja que os tais o conheçam pelo que venha a ser, sem as muitas invencões formuladas a seu respeito e por isto se faz tão importante o ato de pensar.

Acreditar que a razão aniquila o elemento fé é do mesmo modo constituir sobre si um estado lastimoso de cegueira, com a negativa do que embora para nós seja complicado de entender e explicar mas simplesmente existe. Podemos então recordar um dito do célebre William Shakespeare, "há mais coisas entre o Céu e a Terra, que possam imaginar nossa vã filosofia".
A ciência não nega a existência de Deus, nem de sua atividade sobrenatural ou extraordinária, apenas não apresenta respostas concretas ou conclusivas sobre ambos, cuja abstração possibilita a apresentação de teses das quais alguns dos seus formuladores buscam ocultar sua presença na origem e evolução da vida. Contrapondo estes, parte dos famosos ciêntistas em alguns de seus escritos revelaram de forma explícita a crença no Divino e a existência de uma Força maior no Universo que exerce sobre este uma ação direta.

Portanto, chego a conclusão de que não há conturbações, senão criadas por nós, quanto a união da fé com o pensamento racional. Um não nega o outro. Se olharmos bem, veremos um perfeito caminhar de mãos dadas entre ambos.

A razão nos livra das crendices e a fé nos mostra o que está além da nossa compreensão.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Saudade da Igreja - Por Pr. Roberto Amorim

1 de agosto de 2013 ·

Hoje acordei saudoso. Acordei com saudade da igreja. Saudade da “aurora da minha vida” espiritual, daquele tempo que a igreja era composta de gente simples, sem tanto glamour, da igreja do órgão e do piano (as mais sofisticadas), dos hinos do velho e bom Cantor Cristão, e até das brincadeiras que os assembleianos faziam, dizendo que a única coisa que batista tinha de cristão era o cantor (uma alusão ao fato de as irmãs batistas usarem maquiagem, cortarem o cabelo e vestirem calças – todas estas atitudes tidas como não cristãs). Saudade da velha briga doutrinária sobre os dons, sobre línguas estranhas.

Saudade da radicalidade da conversão e do ardor missionário. Saudade da ética protestante e dos frutos reconhecidamente evangélicos, onde até e principalmente os de fora reconheciam a lisura, a integridade, a pureza como sinônimos de irmão.
Sinto saudade dos pastores apaixonados pelo rebanho, de gente que se deu, que morreu sem estar preocupado com sua própria segurança e com o seu próprio bem-estar, contanto que o Evangelho chegasse aos confins da terra, gente cujo foco estava em ganhar os perdidos, bem diferente dos pescadores de aquário deste tempo cujas igrejas podem até inchar, mas que nenhuma diferença fazem para os que se encontram perdidos, bem diferente dos televangelistas com suas mordomias bancadas por pobres fieis.

Saudade dos obreiros incansáveis, trabalhando de sol a sol (II Tm 4:2) visando alcançar os perdidos, bem diferente dos preguiçosos que optam pelo caminho mais curto e confortável de alcançar os já alcançados. Saudade dos líderes firmes que conduziam o rebanho não ao sabor do mercado ou da última onda, mas por princípios, ainda que isso significasse antipatia. Saudade dos grandes oradores de outrora que embora tocassem em temas tão densos, conseguiam manter a audiência extasiada, saudade dos sermões sobre o céu e as delícias do porvir, bem diferente do psicologismo e da teologia de confissão positiva tão comum em nossos dias.

Sinto saudade tal qual o Senhor sentia da igreja de Éfeso (Ap 2:1-8). Saudade porque tais marcas ficam a cada dia mais raras. Saudade porque se comparo a igreja de outrora com a de hoje parecem se tratar de entidades, organizações e de organismos absolutamente diferentes.

Agora me lembrei da parábola do Rubem Alves sobre jequitibá e eucalipto. “Uma vez cortada a floresta virgem (de jequitibás), tudo muda. É bem verdade que é possível plantar eucaliptos, essa raça sem vergonha que cresce depressa, para substituir as velhas árvores seculares ... Para certos gostos, fica até mais bonito: todos enfileirados, em permanente posição de sentido, preparados para o corte. E para o lucro ... Jequitibá e Eucalipto, não é tudo árvore, madeira? No final, não dá tudo no mesmo? Não, não dá tudo no mesmo, porque cada árvore é a revelação de um habitat, cada uma delas tem cidadania num mundo específico”.

A igreja cresceu, ocupamos os lugares de honra na mesa do rei, ocupamos posições importantes na sociedade, estamos presentes em todas as esferas de poder, mas estamos perdendo o nosso lugar no Reino, o nosso castiçal está se apagando (Ap 2:5). Somos uma igreja que cresceu e chegou a números inimagináveis, já se fala em maioria evangélica no Brasil em uma década, mas já não vivemos em comum, já não temos uma só alma e um só coração (At 4:32; 2:44). Não somos mais a igreja periférica e pobre, mas também não somos mais o povo cujo viver impressiona até os de fora pela lisura, integridade, honestidade e justiça. Como atribuísse ao diálogo entre Thomaz de Aquino e Inocêncio IV "já não podemos mais dizer 'não tenho ouro, nem prata', mas também já não podemos dizer 'levanta-te e anda”. Deus tenha misericórdia de todos nós e nos faça voltar ao primeiro amor.

Pr. Roberto Amorim

Roberto Amorim, atualmente é pastor da Igreja Batista Proclamação em Salvador, Bahia.

 Imagem:http://folheandopensamentos.blogspot.com.br/2011/11/folheando-recordacoes.html?m=1

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Teoria do sofrimento

Em uma manhã bastante comum, todavia preenchida por relatos tristes em consequência de acontecimentos inesperados e sobretudo alheios ao entendimento ou aceitação humana, nos trouxeram por conseguinte perplexidade sem precedentes, que fizeram-me suspirar a conhecida expressão "coisas da vida" como uma breve explicação para tais ocorridos.

De forma imediata fui repreendido por minha citação, reconhecidamente por mim como subjetiva, entretanto mais próxima de uma possível resposta ao nosso estado perplexo diante dos fatos em questão. E assim é como enxergo o sofrimento. Subjetivo,  e por esta razão tantas vezes incompreensível e inaceitável. Presente na humanidade desde os tempos mais remotos e por isso considerado como fato natural da vida. Bendita seja esta, que nos proporciona os mais belos sentimentos e prazeres, mas que em contrapartida tem também a capacidade de permitir a alma humana vivenciar experiências severamente tristes e dolorosas.

Eu não quero ser a resposta e nem mesmo tenho resposta objetiva para os "porques" da humanidade no que tange ao sofrimento. Particularmente acredito que o mesmo é resultado de um desequilíbrio que tomou conta de nosso mundo, decaído e mergulhado em densas trevas, trazendo-nos os efeitos dolorosos dessa horrenda condição que afeta a todo ser vivente. 

Fatidicamente, não há escapatória para o sofrimento. Não existem seres privilegiados com a capacidade de não sofrer. Uns já nascem sofrendo e outros irão conhecer na prática o que isto representa um pouco mais tarde, alguns sofrem mais do que outros hoje e amanhã poderá ser o contrário. As dores de uns não serão as dores de outrem, no entanto todos sofrem.

E dentro desse contexto, onde está Deus? É o que muitos se perguntam. Desesperados e a procura de um culpado. Mas seria a Divindade,  promotora de males terríveis como os crimes que somos capazes de cometermos uns contra os outros? Tornar-se-ia desestabilizador do sistema biológico que criou de forma tão perfeita? Seria Ele a origem de todas as atrocidades, pestilências, catástrofes e aberrações?
Não posso creditar esta culpabilidade ao Criador, se todas as coisas foram criadas de modo perfeito mas sofreram um desequilíbrio resultante da falibilidade humana. Deus não é portanto promotor do sofrimento.

De forma iminente, vemos a pessoa de Deus sendo apresentada por muitas religiões contemporâneas como o remédio absoluto para o término do sofrimento. Ouvimos isso nos sermões de pregadores na tv, em púlpitos de diversas igrejas e nas canções que prometem sucesso, vitória, cura, milagres e prosperidade, sendo até mesmo promessa em jargão convidativo com a afirmativa "Pare de sofrer". Porém,  tendo em vista que o sofrimento é inerente a vida humana,  torna-se inaceitável uma mensagem dita como cristã, que propõe a possibilidade de acabar com o mesmo (pelo menos não nesta vida). Não há como escapar das lágrimas e prometer isto em nome de Deus seria engodo e blasfêmia.

Mas onde chegamos com o sofrimento? E onde vejo Deus nesse contexto? Apesar de toda a nocividade causada pela dor, é nos momentos mais dolorosos que sabemos quem realmente somos. Nas horas mais difíceis conhecemos a sinceridade das relações e experimentamos a grandeza dos mais graciosos bens que a vida pode nos proporcionar, como amor, paz, consolo, amizade, comunhão, compaixão, idoneidade, dentre tantas virtudes inigualáveis que talvez não fossem vivenciadas tão perfeitamente se tudo pra nós corresse de forma positiva em todo tempo. Deus não nos prometeu dias perfeitos e uma jornada sem obstáculos ou acidentes. Mas não deixou de nos conceder esperança por meio dessas virtudes. Não se fez mero expectador da vida que nos deu, mas partícipe ativo inclusive em meio a nossa agonia mais profunda, trazendo-nos como resposta mais precisa para o tema em questão, a esperança e o consolo para as aflições que vivenciamos no tempo presente.

Apesar da subjetividade do sofrimento que nos releva aos "porques" e suas inúmeras respostas que buscamos lhes apresentar,  sendo tantas frutos de nossas tentativas em por um fim a nossa dor, ficamos com a objetividade frisada de que Deus não está distante de nós e nem alheio ao nosso sofrer.  Assim como a vida por meio dele originada, com tudo o que nos proporciona, se revela maravilhosa mesmo nos momentos mais ásperos.

Imagem: http://esperanca.com.br/

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Deus menino


De repente chegou o dia que estava escrito nas entrelinhas de formação do Universo. Devidamente idealizado e preparado ainda antes que houvesse mundo, finalmente realizado em conformidade a programação exata de seu mentor.

Dia este almejado por todos que ouviram e conheceram as palavras do qual afirmava que a virgem daria a luz a um filho. Os anjos então cantaram dando glória a Deus nas alturas e desejaram paz aos homens de bem, e uma estrela  no céu apareceu convidando todos os que a viram para contemplarem o acontecimento dos séculos dos séculos.

Os seguidores da estrela-guía chegaram até Belém, cidadezinha pequena dentre todas as outras de seu país e ali estava tão pequenininho num bercinho feito de palha, contemplado pelos olhos dos bichos e acalentado pelo carinho dos que escolhidos foram para serem seus pais. Em toda sua simplicidade reconheceram a glória do Verbo que se fez carne e lhe ofertaram presentes dignos de um rei.

E assim, conhecido foi o que chamaram de Emanuel, o Deus que anda no meio dos homens e a terra que estava em trevas conheceu sua maravilhosa luz.

Dia de alegria, noite feliz, celebraram os céus e a Terra. Neste dia celebremos todos pois nasceu o Deus menino.

sábado, 9 de maio de 2015

Os braços de uma mãe - Para Eliene Bittencourt

Então, ela finalmente me tomara em seus braços. Isso no inicio da década de 80, sendo esta mãe de duas filhas, trazendo naquele dia dos pais um presente que seu esposo almejou; um filho do sexo masculino, tradicionalmente dito "um filho homem".
Não posso descrever a alegria que tomou conta de todos por motivos óbvios no que diz respeito a vida, sendo um bebê que acabara de chegar ao mundo. Todavia posso falar um pouco do que sinto, mesmo não podendo falar com exatidão dos sentimentos inexplicáveis que fazem parte de nós. Assim, sei que eles não ficaram ali, presos no tempo, mas seguiram por todos os dias de minha vida.
Porque ela me tomou em seus braços por todos os dias que vivi até agora. Mesmo quando já não tinha mais idade para isso. 
Senti isso lá no fundo quando papai acometido por um câncer nos deixou. Seguiu com muitas dificuldades que a vida lhe reservou, resiliente, não se curvou diante desta e nos criou com muita dignidade e fibra fazendo com que eu e minhas irmãs seguissemos seu exemplo e não nos curvassemos face às reveses que nós mesmos precisamos enfrentar.
E assim continuamos seguindo nossas vidas, mas não importa o tempo decorrido, eu ainda sinto você minha mãe, me carregando nos braços. 

Para Eliene Bittencourt

Foto: Arquivo de familia

segunda-feira, 23 de março de 2015

Oração do Guerreiro

Não importam os tempos e as épocas, independendo também das circunstâncias, sempre haverá quem nobremente encare desafios e militem pelos mais diversos motivos.

Da luta pela sobrevivência nos primórdios das civilizações a busca pela liberdade, fazendo frente ao preconceito e a tirania, passaram-se os tempos e ainda hoje há quem lute bravamente seja de um jeito ou de outro pelos quais podemos chamá-los de guerreiros.
Guerreiros do cotidiano, essa é a nossa oração.

Oração do Guerreiro
"Guerreiro, que nada te derrube.

Não entregues teu poder,
Não te dobres,
Não te queixes,
Não te lamentes.

Atua com grandeza,
Não te deixes vencer pela culpa,
Não te deixes vencer pela tristeza ou pelo abandono.

Guerreiro és, e postura de Guerreiro hás de ter.

Coluna reta, Guerreiro,
Olhar limpo,
Calma em tua face,
Que ninguém saiba de tuas dúvidas,
Que ninguém saiba de tuas fraquezas.

Guerreiro hás de lutar até a morte, pelo que acreditas,
Pelo que sonhas,
Pelo que amas.

Só poderás descansar nos braços de tua amada.

Só poderás chorar frente às estrelas.

Guerreiro, elegeste o caminho mais difícil,
O mais forte,
O mais digno de um homem.

O caminho dos homens íntegros
Que nada temem,
Que olham nos olhos.

O caminho dos homens alegres,
O caminho dos Guerreiros."

Fonte: http://guiadeoracoes.blogspot.com.br/2013/06/oracao-guerreiro.html?m=1

Imagem:Google images


domingo, 1 de fevereiro de 2015

E os novos rumos?

Após o momento mágico da passagem de ano com todas as circunstâncias, sentimentos e desejos que a envolvem, vivenciamos os primeiros dias do ciclo ordinário por nós almejado e esperado como os anteriores cujas chegadas também foram ritualmente celebradas.
Passada a festa e definidas as metas, planos e projetos traçados, damos prosseguimento para que os intensos desejos daquele momento tão encantador se realizem na mesma proporção. Mas no retorno a normalidade cotidiana, compreendemos que para tanto precisamos enfrentar a realidade áspera que nos cerca. Esta esquecida por breve tempo.
Percebemos então que dentre tantas e outras, certas coisas nunca mudam e algumas perduram como se fossem eternas. Deveríamos estar acostumados mas não estamos (até porque não vejo como) ao aparecimento de situações inesperadas, fato natural da vida que possivelmente já tenha surpreendido muitos de nós. Fator ainda mais relevante é a relação social em diversos âmbitos com suas debilidades e carências que nos trazem dores e fadigas próprias desta condição humana.
Vivemos o êxtase e as emoções propicias daquela noite eufórica, pensando apenas em todo bem que para nós e ao nosso próximo naquele instante desejávamos, nos dando a fantasia de esquecermos as inconveniências e contrariedades que os dias nos reservam; E se dependesse única e exclusivamente de nós, de forma mágica todos os nossos anseios se realizariam naquele instante. Entretanto, 365 dias completos nos aguardavam.
E as aspirações? As idéias, planos e projetos? E o desejo de que tudo fosse novo, as novas metas?
E os novos rumos?
Perderam-se com as más noticias? Abalaram-se com as crises econômicas do país, problemas familiares ou adversidades no trabalho? Sucumbiram perante as permanentes injustiças e desonras? 
Será que estes não foram apenas parte de um momento utópico de uma noite que passou?
Esperançosamente quero acreditar que não.
A verdade é que despertamos do êxtase para entender que nem sempre os ventos soprarão ao nosso favor e que nosso triunfo é conquistado dia após outro, exigindo de nós resiliência e perseverança; Do contrário podemos ser considerados covardes e fracassados.
Mas que Deus nos ajude em nossas esperanças para que elas nos conduzam as realizações do que tanto anelamos.
 E se este ano não for como desejei? A vida segue e estamos apenas no começo, façamos nossa parte, acreditemos e esperemos. E se não for como achamos que seria, será suficiente, até uma nova passagem de ano.

Imagem: http://www.belasmensagens.com.br/reflexao

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

The Noite especial de Natal - Danilo Gentili entrevista Pd. Antonio Maria, Pd. Basílio e Pr. Ed Renê Kivitz

Muito interessante e realmente proveitoso. Assistam e tirem suas conclusões.

Danilo Gentili bate um papo do bem com três líderes cristãos. O Padre Antonio Maria, da Igreja Católica Romana, o Pastor Batista ED René Kivitiz e o Padre Basílio da Igreja Ortodoxa Grega.

Imagem: http://noticias.gospelmais.com.br
Vídeo: http://youtube.com

domingo, 21 de dezembro de 2014

Impasse humano - Por Eliene Bittencourt

O que fazemos de nós mesmos?
A verdade é que se olharmos bem o comportamento do homem dentro da nossa realidade pode-se observar que falamos muito, mas praticamos pouco.
Sentimentos nobres requerem grandeza de alma para que sejam instalados e desenvolvidos contagiando o maior número de pessoas no sentido de serem postos em prática e conseqüentemente tornando a nossa estadia por aqui mais aproveitada e produtiva.

Sabemos conceituar... definir... cada um desses sentimentos, conhecemos os seus valores, sabemos das suas capacidades de ação quando são solicitados diante das necessidades surgidas no dia a dia, mas mesmo assim ainda precisamos domar, educar o lado contrário do nosso ser que vive adormecido, bastando um momento de desequilíbrio emocional, para comprometer conceitos e valores modificando o nosso comportamento.

Ás vezes nos deparamos em situações que necessariamente temos que nos colocar em defensiva porque a própria dinâmica da vida nos faz ter ou ser contrario a tudo que acreditamos e conseguimos construir juntamente com a civilidade, que é refletida através da educação de um individuo e a sua capacidade de socializar-se bem através de situações e experiências vividas ao longo de sua vida.

Vivemos de uma maneira individualista e prezamos muito o nosso “eu”, valorizando o “nós” como uma alternativa de seguir a vida preparando a caminhada e aproveitando as oportunidades surgidas ao longo desse percurso, procurando fazer o bem sem sofrer sacrifícios e prejuízos.

Hum!! Quanta amargura....não.

É a pura realidade comprovada quando vemos ou sentimos o desprezo do homem pelo próprio homem em evidencia estampado pelos meios de comunicação abertos ao mundo.
Lamentável ver que estamos diante de um impasse em querer enganar a nós próprios ou enganar a realidade dos fatos.

Naturalmente que as possibilidades de reverter essa situação é grande, bastando espalhar...divulgar...dividir...compartilhar...
o maior de todos os sentimentos juntamente com seus acompanhantes, todos em completa harmonia nas mais ações de simplicidade, esforço e otimismo contribuindo com a valorização humana.

Diariamente em curtos intervalos no tempo acontecem atos violentos contra a humanidade, não que isso seja novidade, mas o crescimento do lobo mau é atribuído a falta de valores éticos e morais.
Reconhecer que estamos impotentes diante das mudanças comportamentais do ser humano é perguntar a nós mesmos o que estamos fazendo com a nossa própria vida.

Manter aberta a porta do coração é abrigar, acolher, abraçar o outro coração carente de oportunidades.
Mas, até quando?
Posso parecer desesperançosa, mas meu lado perfeccionista me faz cobrar de mim mesma, imagine das pessoas ao meu redor, um comportamento mais justo, mais condizente em cada situação vivida.
Encaro tudo isso como uma faca de dois gumes.
Ambos os lados, corta e faz sangrar deixando fluir as nossas ferramentas de trabalho (os nobres sentimentos) permitindo que as nossas decisões em ajudar...participar...cooperar
sejam absorvidas pela indignação ou transformadas em quem sabe um dia.
É o lavar das mãos do bem e do mal.

A amarga ironia do fato é o de "como seria bom se fosse assim" sem ter que também infringir as leis da boa conduta quando nos sentimos ameaçados.
Tem ideia de como é pensar assim?
E a vida? Ela segue...

Fonte: http://www.phenixbittencourt.blogspot.com.br/
 
ELIENE DE CASTRO BITTENCOURT

É Profissional na área de saúde. Se declara apaixonada pela internet e tecnologia. Blogueira desde 13 abril de 2011, é autora do blog No fim do arco-íris tem onde escreve um pouco sobre tudo.

Além do já descrito, sumamente importante citar que trata-se de uma pessoa que tanto amo. Minha mãe!

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Voto consciente. O que é? ...ou seria o que penso.

A corrida oficial por ele começou a quase três meses e termina este fim de semana. As propagandas que interrompem a programação normal dos principais meios de comunicação, os debates acirrados com apresentação de propostas e provocações, bem como todas as formas marketeiras possíveis, são as armas dos candidatos a um cargo público na busca pelo precioso voto do eleitor.

Tenho que fazer referência ao fato lamentável da morte de um candidato a presidência da República em inicio de campanha, com respeito pela dor de sua família, amigos e dos que o conheciam bem ou mesmo o seu trabalho, sem passar disto por não encontrar-me em nenhuma das condições citadas. Como esperado, alguém o substituiu e está em boa situação diante das famosas pesquisas eleitorais que antecedem o momento decisivo da eleição e a maratona continua.

Os holofotes e câmeras estão todos voltados para eles, estando do lado inverso os eleitores compostos por anônimos e famosos que possuem o principal bem de interesse eleitoral ou mesmo eleitoreiro dos candidatos.

E o que dizer dele? Do voto? Asseverar que este é pessoal e todo cidadão deve ter plena consciência de sua escolha, a qual será expressa na urna em dia de votação.

Infelizmente, a garantia do direito a escolha de nossos governantes e representantes é um fato contraditório em nosso país, tendo em vista do voto ser obrigatório. Uma vez que seja meu direito, porque não posso optar pela não votação se este for o meu desejo? Por que perder tempo com deslocamento para os postos, simplesmente para anular ou votar em branco? Penso que isto deve ser revisto no Estado Democrático de Direito. Mas é válido recordar que independente da imposição legislativa, as escolhas pessoais de qualquer eleitor não devem sofrer condições determinantes de qualquer natureza, implicando isto em restrição da liberdade de consciência do individuo.

Nosso contexto histórico mostra o coronelismo presente em diversas épocas, representado por muitas facetas e adequando-se aos tempos e os meios. Algumas dentre as variantes formas de apelo atuais são sorrateiras e praticamente impositivas ao eleitor. A maioria delas estão ligadas a conceitos filosóficos e religiosos, ao partidarismo obsessivo, interesses comerciais ou financeiros e até mesmo aos laços sentimentais de amizade ou familiares. Votar de forma consciente é ter a plena certeza de que nossas escolhas estão ligadas a nossa vontade e alheia a esses e outros "cabrestos" dissimulados.

A escolha de nossos governantes e representantes está diretamente ligada ao futuro da nação. Este domingo próximo irá influenciar em muito das nossas vidas pelos próximos quatro anos. Por isso, pensemos bem e coloquemos o interesse coletivo acima de nossas concepções ideológicas e religiosas. Que nossa vontade supere as promessas particulares a fim de não fazermos do nosso voto moeda de troca. Deixemos a cegueira causada pelo partidarismo que beneficia um grupo de políticos que muitas vezes não contemplam nossos anseios e necessidades reais na condição de povo brasileiro. Votemos na opção por nós desejada sem que esta tenha sido escolhida em verdade por alguém que muito estimamos. Se as opções não nos agradam e nem seja nosso interesse optar entre elas, fazer parte do percentual de votos brancos e nulos é uma alternativa. Manifestemo-nos nas urnas de algum modo, contanto que seja realmente nossa voz e nosso grito expressando a predominância de nossa vontade.

Façamos portanto uma análise critica e profunda das propostas de cada candidato, votemos conscientemente e que Deus nos abençoe em nossas escolhas.

Um abraço

Marcus Bittencourt

Imagem: Google Images

quarta-feira, 16 de julho de 2014

A "copa das copas" termina em fracasso, vexame e uma boa lição

Por  
Eu já li algumas crônicas sobre o maracanaço, ficava me perguntando como seria a dor de perder uma Copa do Mundo em seu próprio país, para minha decepção agora sei como é, e pior, sem ver minha seleção jogar. O chocolate que a seleção alemã impôs à seleção brasileira deixa uma lição, e por incrível que pareça, pouco tem haver com futebol. A derrota de 7 x 1 que levamos no Mineirão é apenas um reflexo daquilo que estamos plantando no Brasil.
O “jeitinho brasileiro”

O “jeitinho brasileiro” foi enaltecido, a malemolência, a malandragem e a busca da vida fácil onde se ganha muito dinheiro trabalhando pouco, o sonho de todo brasileiro. Sempre achei estranho que um dos maiores orgulhos do brasileiro ser a capacidade de se dar bem. Nós, brasileiros, ajudamos a enaltecer a imagem do malandro carioca, do baiano preguiçoso e tantas outras imagens que enfraquecem e escondem a grandeza do nosso povo.

A ilusão de que é possível alcançar objetivos sem planejamento

A Copa do Mundo foi anunciada que seria no Brasil em 2007, ou seja 7 anos antes do mundial. De lá para cá a euforia tomou conta do país, os políticos prometeram o céu aos brasileiros. E cada vez que aparecia um aumento de orçamento, um novo atraso, cancelamentos de obras e etc, sempre vinha alguém e dizia “no fim dará tudo certo, basta acreditar”. Sempre que alguém criticava as obras da Copa ou a seleção, logo era chamado de pessimista, que não era patriota e que deveria então sair do país.

Nosso vexame começou muito antes. Gastamos R$ 35 Bilhões e só conseguimos terminar os estádios, e mesmo assim a apenas 15 dias do mundial. O trem bala não chegou, os metrôs não chegaram, a mobilidade urbana não veio, continuamos sem hospitais e aeroportos. Ou seja, o tal legado da copa foi para as cucuias.
Da mesma forma a nossa seleção se preparou para a copa, ou seja, de qualquer jeito. O clima de oba-oba tomou conta, afinal, a copa era aqui e somos o país do futebol. A cada jogo da seleção, os jogadores ganhavam folga e iam para casa, o que parecia nos noticiários era muita alegria e pouco treinamento.

Mas isso não se resume apenas às obras do mundial ou à preparação da seleção, tem muito a ver com aquilo que estamos fazendo com nosso país. Estupidamente tentamos transformar nossas escolas em parques de diversões, de norte a sul do país vemos “educadores” dizendo que educação não combina com cobrança, seriedade. Que a escola deve ser um lugar de diversão e não de sofrimento. Estamos facilitando que alunos sem condições avancem sem esforços e a consequência é que se formam sem nada saber.

 O que nossa seleção passou hoje no Mineirão é o reflexo do que estamos fazendo com as gerações futuras, fizemos uma seleção que sabíamos que não tinha condições acreditar que poderia e da mesma forma estamos fazendo nossas crianças e jovens acreditarem que poderão ser bem sucedidos na vida sem esforços e conhecimento. Ficamos estatelados ao ver o Brasil despencando nos índices de educação, ao ver nossas faculdades despencando nos rankings mundiais, nem mesmo perto da América do sul nossa situação é confortável. Mas assim como fizemos com a seleção, preferimos não ver, preferimos acreditar que mesmo fazendo tudo errado o resultado será bom. A diferença é que os jogadores desta seleção carregará este péssimo resultado, mas de certa forma possuem suas vidas ganhas, ao contrário de nossa juventude que graças a um conjunto de mentiras e ilusões está sendo jogada em um abismo que pode não ter volta. Afinal, como já diziam os antigos, não pode um pé de jamelão produzir morangos.

A lição alemã

Da mesma forma que podemos associar o fracasso da seleção brasileira ao modelo que vigora em nosso país e ao espírito carregamos, podemos associar o sucesso alemão com o modelo que eles seguem e o espírito que carregam.

O alemão é um povo chato, diz o brasileiro, sem graça, sem alegria. Mas o que o brasileiro não vê é que por trás da seriedade alemão existe um comprometimento com tudo que eles se pretendem a fazer e a alegria e a festa só vem depois de alcançarem os objetivos e nunca antes.

A Alemanha possui uma história dura, e comparada ao Brasil deveria estar muito pior que nós, o país foi destruído há 69 anos atrás com o fim da II Guerra Mundial e até 1989 viveu uma terrível tensão, tendo o país dividido por um muro. A seriedade alemã é compreensível ao se olhar sua história. Mesmo assim tiveram força e em momento algum procuraram “amolecer o sistema” ou relaxar as cobranças, muito pelo contrário, a seriedade na formação das novas gerações construíram um país forte e a maior potência européia da atualidade e isso se reflete nesta seleção alemã. Vale lembrar que a Federação Alemã possui uma belíssima parceria com as escolas do país e metade dos jogadores desta seleção foram descobertos nas escolas daquele país sério e sem graça.

Durante o mundial, mesmo muito descontraídos, os alemães não perderam o foco em momento algum, se isolaram no sul da Bahia, e não entravam no clima de oba-oba após cada vitória. Treinavam sério dia após dia sob o sol do meio-dia da Bahia e estudavam duro cada adversário e entre um compromisso e outro apareciam uma foto ou um comentário em uma rede social, mas sem muita empolgação.

Se fica uma lição disso tudo é que precisamos aprender levar as coisas a sério, há um velho ditado que diz: “quem vai buscar, leva saco”, é preciso estar preparado para alcançar aquilo que se almeja. Da mesma forma que não vencemos esta copa sem treinar duro e seriedade, também não teremos futuro se não mostrarmos aos brasileiros de amanhã que sim, a vida é dura e o peixe é de quem o pesca. Enquanto formarmos pessoas acostumadas a receber elogios e nunca serem cobradas, enquanto formarmos gerações que não sabem o peso das conseqüências das nossas escolhas e que nunca podem ser contestadas, iremos colecionar fracassos e os fracassos do futebol será os menores e menos importantes.

É duro ver o Brasil nesta situação, e não falo de futebol. Este é nosso menor problema, sinceramente, somos uma fábrica de craques e não será difícil voltar a vencer e levantar a cabeça, desde que façamos o dever de casa, é claro.

Minha maior dor como brasileiro é ver que após esta derrota vergonhosa, também não temos um sistema de ensino decente, não temos uma saúde decente, não temos segurança, nossa economia patina e não conseguimos ver um Brasil melhor se continuarmos como estamos.

Temos agora a oportunidade de aprender com esta derrota, melhorar de vez o Brasil e deixar a diversão e a festa somente para depois das obrigações e não antes delas. Afinal, a derrota ensina mais que a vitória e esta é uma bela oportunidade de aprender, mas aprender  com quem faz direito, olhar para os melhores e fazer como eles e não nos espelhar em fracassados.


A Copa das Copas terminou em fracasso para nós, dentro e fora dos estádios. Ficamos sem nada, nem mesmo a alegria nos sobrou. Fica apenas as lições, que espero que sejamos capazes de aprender.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Acreditar. E continuar acreditando.

"A gente precisa continuar acreditando: que vale a pena ser honesto. Que vale a pena estudar. Que vale a pena trabalhar. Que é preciso construir: a vida, o futuro, o caráter, a familia, as amizades e os amores."
Lya Luft

A gente precisa continuar acreditando: apesar de tudo. Precisamos caminhar na direção contrária do vento e nadar contra a correnteza. Esperar quem sabe, que um dia eles posicionem-se ao nosso favor.
E se não acontecer? É preciso continuar acreditando ainda assim. Um tanto difícil se levarmos em consideração que os dias seguem mediocremente iguais. As histórias são as mesmas, mudando apenas os personagens. Talvez, em outros tempos elas fossem o cúmulo do absurdo, hoje já não surpreendem mais. O que era tido por anomalia, tornou-se comum e chega ser aceito como normal.

Como resultado de um contexto social desigualitário e desonesto, o cotidiano tornou-se agressivo, sujo e doentio. A credibilidade das pessoas diminuiu. O gesto simples de apertar as mãos tornou-se obsoleto e a "palavra de honra" perdeu o valor no nosso novo mundo. A vantagem pessoal supera qualquer limite de pudor e respeito. A violência crescente degradou cidadãos a condição de reféns do medo. Esse é um indicativo alardeante de falhas no social, da falta de políticas públicas e impotência de nossa justiça que resulta no drama da impunidade.

Nada nos restou perante a realidade ora descrita, se não acreditar e ansiar pela chegada de dias melhores . Porventuramente, teriam estes chegado a nós com a Copa do Mundo? Esta também tem dado o que falar, como se tudo mais não fosse o bastante na terra do futebol. E quando ela terminar? Já temos prevista a apresentação dos novos capítulos de uma antiga novela, com protagonistas de ontem e hoje declamando os discursos que tão bem conhecemos. Ocorre entretanto que o cenário nacional vem passando por mudanças, evidenciadas pela onda de protestos que surpreenderam o país acostumado a ver seus cidadãos "deitados eternamente em berço esplêndido". O que esperarmos então dessas eleições? Ou do futuro de uma forma geral?

É certo que esperamos o resplendor de uma nova aurora, mas em que acreditar?

Precisamos continuar acreditando: em nós mesmos. Que podemos seguir em frente. Confiando em nossas habilidades e talentos. No esforço empreendido para estudar e trabalhar, com a certeza absoluta de que vale a pena. Jamais nos arrependermos de nossa hombridade e pureza de caráter. Trilhar o caminho da honradez na formação de nossas famílias. Prezar pela lealdade e afeto nas relações pessoais. E fazer o bem a todos os que necessitam sem distinção.

Temos que acreditar, em gente como a gente. Unir as idéias, respeitar as opiniões e ajudarmo-nos mutuamente.

É preciso acreditar na vida. Ter fé em Deus que nos dá forças e motivações para continuarmos acreditando.

Eu acredito! Apesar de tudo.

Marcus Bittencourt

domingo, 11 de maio de 2014

Quando a festa terminar

É noite de carnaval, a euforia toma conta da cidade. Estou bem próximo da festa, não como folião mas em pleno exercicio de minhas funções como agente do Estado. Se não fosse por este motivo, certamente não teria outro para me fazer presente e por isso anseava muito pelo término da festa, a fim de que pudesse voltar logo para casa.
Encontro então um jovem conhecido, de orientação homossexual, que com seu jeito "alegre" pôs-se a conversar conosco e entre uma palavra e outra tomou conhecimento de minha fé cristã. Um tanto desconcertado, assumiu momentâneamente uma personalidade séria desculpando-se por qualquer brincadeira, revelou que sua mãe era cristã e por isso conhecia um pouco do Cristianismo respeitando a todos os seus adeptos. Respondi que estava tudo bem, pois respeitava sua opção e assim, acredito que o não tão valorizado como outrora, senso de respeito, teve naquele instante seu lugar de merecimento.
A noite segue e a chuva cai. Abrigado, faço uso de um smart-phone para acessar uma rede social, percebendo que em plena madrugada minha mãe publica uma postagem. Me espantou o fato em razão da hora já bem avançada, por isso comentei com meu companheiro de trabalho sobre como ela ainda podia estar acordada. Perguntou-me o que eu queria afinal, se estava trabalhando, o que certamente seria o motivo para esta ainda não ter repousado. Escrevo indagando-a e ela me confirma tal pensamento, alegando permanecer acordada para velar por minha vida. Que palavras posso ter para descrever o significado disto? Ela pergunta se estou bem e diante de uma resposta afirmativa diz que vai então dormir um pouco.
A natureza deste ato me encheu de felicidade. Mas bem próximo de mim havia alguém cujos olhos revelavam um sentimento adverso, parecia perdida, estava arrasada por uma noite que deveria ser no minimo divertida.
Tratava-se de uma jovem cujos sentidos afetados pelo álcool, acabara de vivenciar uma relação cujo envolvimento não mais se deu além do que sexo. Restou-lhe a volta para casa, amargurada e levando sobre si o peso humilhante da culpa pelo ato impensado.
Tudo isso aconteceu em uma noite de carnaval.
Pode até parecer que esteja atrasado, tendo em vista de que o carnaval já é assunto passado e a "bola da vez" é a copa do mundo de futebol no Brasil. Mas minha abordagem na verdade não é sobre esta festa influente (podendo esta ser substituida por outra qualquer), e sim sobre quem somos ou como voltamos para casa ao seu final.
Meu serviço terminou e eu voltei para casa. Retornei com o respeito que desejo, feliz pela importância que tenho diante dos que para mim são importantes e com leveza na alma por não cometer nada que pudesse me arrepender amargamente.
Conscientemente precisamos saber que toda festa tem começo e fim. Nos preparamos para o início, será que estamos preparados para quando ela terminar?

Marcus Bittencourt

Imagem: http://juniorleal.flogbrasil.terra.com.br/foto18009585.html

sábado, 8 de março de 2014

Qual é o lugar do fator religioso no mundo? - Leonardo Boff

Por mais que a sociedade se mundanize e, de certa forma, se mostre materialista, não podemos negar que vigora uma volta vigorosa do fator religioso, místico e esotérico nos tempos atuais. Temos a impressão de que existe um cansaço pelo excesso de racionalização e de funcionalização de nossas sociedades complexas. A volta do religioso apenas revela que no ser humano há uma busca por algo maior. Há um lado invisível no visível que gostaríamos de surpreender. Quem sabe não se encontre lá um sentido secreto que sacia nossa busca incansável por algo que não sabemos identificar.  Nesse horizonte não confessional quiça faça sentido se falar do fator religioso ou do espiritual. Ele sofreu todo tipo de ataques mas conseguiu sobreviver. A primeira modernidade o via como algo pré-moderno, um saber fantástico que deve dar lugar ao saber positivo e crítico (Comte). Em seguida foi lido como uma enfermidade: ópio, alienação e falsa consciência de quem ainda não se encontrou ou  caso se encontrou voltou a se perder (Marx). Depois, foi interpretado como a ilusão da mente neurótica que busca pacificar o desejo de proteção e tornar o mundo contraditório suportável (Freud). Mais adiante, foi interpretado como uma realidade que pelo processo de racionalização e de desencanto do mundo tende a desaparecer(Weber). Por fim, alguns o tinham como algo sem sentido, pois seus discursos não têm objeto verificável nem falsificável (Popper e Carnap).

       Estimo que o grande equívoco destas várias interpretações reside de no fato de colocarem o fator religioso num lugar equivocado: dentro da razão. As razões começam com a razão. A razão em si mesma não é um fato de razão. É uma incógnita. Ja rezava a sabedoria dos Upanishad:”aquilo pelo qual todo pensamento pensa, não pode ser pensado”.Talvez nesse “não pensado” se encontra o berço do fator religioso, vale dizer, daquelas instâncias exorcizadas pela racionalidade moderna: a fantasia, o imaginário, aquele fundo de desejo do qual irrompem todos os sonhos e as utopias que povoam nossa mente, entusiasmam os corações, incendeiam o estopim das grandes transformações da história. Seu lugar reside naquilo que o filósofo Ernst Bloch chamava de "princípio esperança"   .

         É próprio destas instâncias – do utópico, da fantisia e do imaginário – não se adequarem ao dado racional concreto. Antes, contestam o dado pois suspeitam que o dado é sempre feito; tanto o dado quanto o feito não são todo o real. O real é ainda maior. Pertence ao real também o potencial, o que ainda não é mas que pode vir a ser. Por isso, a utopia não se antagoniza com a realidade; revela a dimensão potencial e ideal desta realidade. Já dizia o sábio E. Durkheim na conclusão de sua famosa obra "As formas elementares da vida religiosa": ”a sociedade ideal não está fora da sociedade real; é parte dela”. E concluía:”somente o ser humano tem a faculdade de conceber o ideal e de acrescentá-lo ao real”. Eu diria, de detectá-lo dentro do dado real, fazendo com que este real no qual está o ideal, seja sempre maior que o dado à nossa mão.

         É no interior desta experiência do potencial, do utópico que irrompe o fator religioso. Por isso dizia Rubem Alves, quem melhor no Brasil estudou o “enigma da religião”(título de seu livro):”A intenção da religião não é explicar o mundo. Ela nasce, justamente, do protesto contra este mundo que pode ser descrito e explicado pela ciência. A descrição científica, ao se manter rigorosamente nos limites da realidade instaurada, sacraliza a ordem estabelecida das coisas. A religião, ao contrário, é a voz de uma consciência que não pode encontrar descanso no mundo assim como ele é e que tem como seu projeto transcendê-lo”.

        Por esta razão, o fator religioso é a organização mais  ancestral e sistemática da dimensão utópica, inerente ao ser humano. Como bem dizia Bloch:”onde há religião, ai há esperança” de que nem tudo está perdido. Esta esperança é um amor por aquilo que ainda não é, “a convicção de realidades que não se veem” como diz a Epístola aos Hebreus(11,1) mas que são o fundamento do que se espera.

     Quem viu com lucidez esta singularidade do fator religioso foi o filósofo e matemático Ludwig Wittgenstein que disse: no ser humano não existe apenas a atitude racional e científica que sempre indaga "como "são as coisas e para tudo procura uma resposta. Existe também a capacidade de extasiar-se: “extasiar-se não pode ser expresso por uma pergunta; por isso não existe também nenhuma resposta”. Existe o místico: “o místico não reside no "como" mundo é, mas no "fato" de que o mundo exista”. A limitação da razão e do espírito científico reside no fato de que eles não têm nada sobre o que calar.

         O religioso e o místico  sempre terminam no nobre silêncio, pois não existe em nenhum dicionário a palavra que o possa definir.

         Até aqui falamos do fator religioso em sua natureza sadia. Mas ele pode ficar doente. Daí nasce a doença do fundamentalismo, do dogmatismo e da exclusividade da verdade. Mas toda doença remete à saúde. O fator religioso deve ser analisado a partir de sua saúde e não de sua doença. Então o fator religioso sadio nos torna mais sensíveis e humanos. Sua volta sadia é urgente hoje, pois ele nos ajuda a amar o invisível e tornar real aquilo que ainda não é mas pode ser.

Por Leonardo Boff

Leonardo Boff é um teólogo brasileiro, escritor e professor universitário, expoente da Teologia da Libertação no Brasil. Foi membro da Ordem dos Frades Menores, mais conhecidos como Franciscanos. É respeitado pela sua história de defesa pelas causas sociais e atualmente debate também questões ambientais.
Imagem: http://escolaprisma13.blogspot.com.br/2010/08/vivemos-em-uma-sociedade-extremamente.html

sábado, 1 de março de 2014

O novo que se revela

"...sempre existe outro dia. E outros sonhos. E outros risos. E outros amores. E outras pessoas. E outras coisas”.

As palavras enunciadas pela famosa escritora Clarice Lispector indicam uma verdade absoluta, testemunhada por todo ser que vive e evidenciada pela caracteristica de prossecução da vida.
Diz ainda um velho ditado que a vida é como uma caixa cheia de surpresas. E é no decorrer desta que vamos nos surpreendendo com o prazer de descobrir e desfrutar.
Estou vivenciando o novo...
Novos dias, em outra casa, com uma nova pessoa*.
As manhãs não são as mesmas de antes, nem mesmo as noites.
O vento pode ser o mesmo que sopra em qualquer lugar, mas não as janelas.
O balanço da rede e o aconchego do sofá.
A vista e o som diversificado das águas do mar, o balanço das árvores e o canto dos passáros.
Carinho e cuidado que nunca me faltaram, mas agora vivenciados de uma forma diferente.
Novas responsabilidades.
Hoje tudo é novo, até o dia de amanhã.
E amanhã começa tudo de novo. 
Novas possibilidades e outras experiências, e outros, e mais outras, e tantos e tantas...
E comicamente, a vida em sua forma ciclica nos fazendo vivenciar tudo de novo.
Que Deus nos abençoe com o novo que se revela a nós cotidianamente.

Um Abraço!

* Quase três meses de casado

Fonte imagem: http://marisabuzios.blogspot.com.br

sábado, 5 de outubro de 2013

O dia de Deus - Autor desconhecido

Há dois dias na semana com os quais nunca me preocupo, dois dias descuidados que guardo secretamente livres do medo e da apreensão. Um desses dias é o Ontem. O Ontem com todos os seus cuidados, angústias, sofrimentos e dores, todas as suas falhas, seus erros e tropeções, passou para sempre e não posso chamá-lo de volta. Ele era meu, agora é de Deus.
O outro dia que não me preocupa é o Amanhã. Amanhã, com todas as suas possíveis adversidades, fardos e perigos, sua grande promessa e desempenho, seus fracassos e erros, está tão além do meu domínio quanto seu irmão morto, o Ontem. O Amanhã é o dia de Deus, será meu. Resta para mim, então, só um dia da semana, o Hoje. Qualquer um pode enfrentar as batalhas do Hoje. Qualquer mulher pode carregar os fardos de um só dia; qualquer homem pode resistir as tentações do Hoje. Só quando deliberadamente acrescentamos os fardos dessas duas terríveis eternidades, Ontem e Hoje, fardos que só o Deus Todo-poderoso pode carregar, é que desfalecemos.
Não é a experiência do hoje que deixa as pessoas exasperadas. É o remorso do que aconteceu ontem e o medo do que o amanhã pode trazer. Estes são dias de Deus, deixe-os com ele.

Autor desconhecido

Fonte: Texto extraído do livro Não sabíamos que eram anjos de Doris W. Greig
Imagem: Amanhecer visto do Farol da Barra em Salvador (Arquivo pessoal)

sábado, 27 de julho de 2013

O que vale mais? - Fragmentos

Conta-se que certa vez, Tomás de Aquino, o grande teólogo, foi convidado pelo papa Inocêncio IV a visitar sua catedral em Roma. Enquanto apontava-lhe todo ouro e prata que havia no teto e nos muros, fazendo alusão às palavras de Pedro ao coxo da porta Formosa (Atos 3:6) disse:
- Vês, Tomás? A Igreja não pode mais dizer como nos primeiros dias: "Não tenho prata nem ouro..." Olhe o teto, os muros; agora temos ouro e temos prata”. 
Sem titubear, Tomás de Aquino respondeu:
- “Sim, agora temos ouro e prata, mas já não podemos dizer ao coxo “em nome de Jesus, levanta-te e anda!”.

Imagem: http://gilsonsantos.com/2012/11/03/pedro-e-joo-curando-o-coxo-poussin/

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